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Segurança do Paciente

Erros de identificação do paciente: como prevenir

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Erros de identificação do paciente: como prevenir

Segundo o Protocolo de Identificação do Paciente do Ministério da Saúde, erros de identificação do paciente podem ocorrer em qualquer fase do diagnóstico e do tratamento, desde a admissão até a alta. Dois pilares sustentam a prevenção: a pulseira branca com no mínimo dois identificadores e a conferência ativa antes de cada cuidado.

Este artigo reúne o que as fontes oficiais informam sobre a origem do erro, suas possíveis consequências e os hábitos que o evitam.

O que causa os erros de identificação do paciente?

Entre os fatores que elevam o risco, o protocolo menciona:

  • o estado de consciência em que o paciente se encontra;
  • trocas de leito, de setor ou de profissional dentro da instituição;
  • outras circunstâncias ligadas ao ambiente.

A esses, o POP de identificação da RioSaúde (2025) soma os fatores profissionais e a falta de protocolos de segurança. No dia a dia, vários deles podem aparecer juntos. Imagine um serviço sem rotina de conferência, em que um paciente sonolento acabou de mudar de setor e é atendido por um profissional que nunca o viu.

O próprio processo também gera causas. Uma etiqueta grande demais dá a volta na pulseira e esconde a informação, alerta o protocolo. O mesmo vale para a pulseira que ficou ilegível ou que o álcool apagou: ela já não cumpre sua função.

Quando o erro de identificação traz mais risco?

Estes são os cuidados que, pelo protocolo, só podem começar depois de confirmada a identidade:

Cuidado Risco em caso de troca
Administração de medicamentos Remédio dado ao paciente errado
Administração de sangue e hemoderivados Transfusão destinada a outra pessoa
Coleta de material para exame Amostra com nome trocado
Entrega da dieta Dieta de outro paciente
Procedimentos invasivos Procedimento no paciente errado

O exame de imagem também entra na lista nos POPs do HUAC-UFCG/Ebserh e da RioSaúde. O protocolo destaca ainda os momentos em que a responsabilidade muda de mãos: a transferência, a alta e a passagem de caso entre equipes. Na maternidade, sempre que o bebê for entregue à mãe ou ao responsável legal, a pulseira do recém-nascido precisa ser confirmada com a da mãe.

O que pode acontecer, segundo as fontes?

A dimensão do problema aparece nos números internacionais reunidos pelo protocolo:

  • no Reino Unido, a National Patient Safety Agency registrou, entre 2003 e 2005, 236 incidentes relacionados a pulseiras com informações incorretas;
  • entre 2000 e 2003, a má identificação apareceu em mais de 100 análises de causa raiz feitas pelo centro de segurança do paciente do Departamento de Assuntos de Veteranos dos EUA;
  • cerca de 850 pacientes por ano, nos Estados Unidos, recebem sangue que era destinado a outra pessoa, e aproximadamente 3% deles morrem;
  • a identificação errada da bolsa é o motivo de dois terços desses casos de transfusão errada.

Para a cirurgia, a estimativa do Protocolo para Cirurgia Segura é de que, nos EUA, operações em local errado e em paciente errado aconteçam em cerca de 1 a cada 50.000 a 100.000 procedimentos, o equivalente a 1.500 a 2.500 eventos por ano.

No Brasil, a lista de never events da Anvisa, que reúne os eventos que nunca deveriam ocorrer, traz o "procedimento cirúrgico realizado no paciente errado". Nela está também a alta de paciente incapaz de decidir entregue a pessoa não autorizada. O protocolo de medicamentos, por sua vez, avisa que há risco de erro de medicação quando todos os pacientes sem nome são marcados como "NI" (não identificado).

Que costumes da equipe abrem espaço para o erro?

As armadilhas são conhecidas e estão descritas nos protocolos. Cada uma pode virar uma regra da equipe:

  1. Fazer pergunta que já traz a resposta. É proibido perguntar "O senhor é o Sr. Silva?", pois o paciente pode concordar por engano, sem ter entendido.
  2. Acreditar na placa ou no leito. Não se deve supor que a etiqueta acima da cama está certa nem que o paciente ocupa o leito correto.
  3. Dispensar a conferência de quem já é conhecido. A identificação tem de ser verificada mesmo quando o profissional conhece o paciente.
  4. Identificar pelo número do leito. É proibido pelo protocolo, porque pode haver troca ao longo da internação.
  5. Usar a pulseira colorida para identificar. As pulseiras de alerta não identificam o paciente e, usadas dessa forma, aumentam o risco de erro. A diferença está explicada no artigo sobre as cores da pulseira do hospital.
  6. Encurtar o nome. O protocolo exige o nome completo, sem abreviatura.

Sete medidas para evitar erros de identificação do paciente

O trabalho de prevenção tem início na admissão e se repete a cada cuidado. A organização proposta pelo protocolo é esta:

1. Coloque a pulseira em todos na admissão. Vale para internados, hospital-dia, emergência e ambulatório, e a pulseira fica no paciente por todo o tempo de cuidado. Para definir o padrão, consulte o que escrever na pulseira de identificação.

2. Pratique a conferência ativa. O paciente deve dizer o nome completo e a data de nascimento, soletrando se possível. Em seguida, o profissional confere com a pulseira, que precisa trazer exatamente a mesma informação, e por último compara com o rótulo do material ou com a prescrição.

3. Repita a cada intervenção. Conferir no início não basta. A verificação se mantém em cada intervenção durante toda a internação.

4. Preveja o paciente que não consegue responder. Para quem está com baixo nível de consciência, o protocolo de medicamentos determina conferir o nome da prescrição com a pulseira e associar ao menos mais dois identificadores.

5. Afaste os homônimos. Na RioSaúde, pacientes de mesmo nome ficam em enfermarias diferentes. Se isso não for possível, eles nunca ocupam leitos próximos.

6. Traga o paciente para o processo. Segundo o protocolo, paciente e família precisam entender a função dos dois identificadores e saber que a conferência antes do cuidado é obrigatória.

7. Registre e acompanhe. Cada incidente de identificação incorreta deve ser notificado e investigado. São dois os indicadores mínimos pedidos pelo protocolo: a proporção de pacientes com pulseira padronizada e o número de eventos adversos por falha de identificação.

Basta ter a pulseira para evitar o erro?

Não basta. O que evita o erro é a conferência; a pulseira apenas carrega a informação. Mesmo assim, ela precisa dar conta da tarefa. As exigências do protocolo são material flexível, liso, impermeável, lavável e não-alergênico, com impressão durável, impermeável, segura e inviolável. Se a pulseira descola no banho ou borra com álcool, a equipe tem de identificar o paciente de novo em plena internação.

As pulseiras de identificação da idband são fabricadas em BOPP, em rolo, com lacre adesivo. Elas são à prova d'água e recebem verniz contra álcool e produtos de limpeza. O hospital imprime a pulseira térmica branca na admissão, usando os dados do cadastro. Quem compra por licitação pode ver também como descrever a pulseira no edital.

Dúvidas comuns

Existe uma causa principal para o erro de identificação do paciente?

Não há uma causa única apontada pelo protocolo. São citados o estado de consciência do paciente, as circunstâncias do ambiente e as mudanças de leito, setor ou profissional.

Qual é o jeito certo de conferir a identificação?

O paciente diz o nome completo e a data de nascimento, e o profissional confere com a pulseira e com a prescrição ou o rótulo. A pergunta "você é o Sr. Fulano?" nunca deve ser usada.

Em que momentos é preciso confirmar a identidade?

A cada nova intervenção e sempre antes de medicamentos, sangue e hemoderivados, coleta de exames, entrega de dieta e procedimentos invasivos.

É obrigatório notificar um erro de identificação?

Sim. Pelo protocolo, todos os incidentes de identificação incorreta devem ser notificados conforme a legislação e investigados no próprio serviço.

Fontes

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